Educação financeira - Como ensinar a uma criança o verdadeiro valor do dinheiro

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009 Comentários

Educação financeira Acredito sinceramente que empreender vai muito além do campo dos negócios. Tenho o ato de empreender como uma filosofia de vida e costumo aplicá-lo em tudo o que faço.

No trabalho, escutei várias vezes, perguntas de pais ansiosos por idéias de como criar seus filhos para serem empreendedores de sucesso e como fazer deles pessoas responsáveis com relação ao dinheiro.

Depois de muito tempo ouvindo isso, acabei formulando uma teoria sobre a questão, principalmente voltada ao valor do dinheiro nos dias atuais e gostaria de compartilhá-la com vocês:

Esta é uma dica relativamente simples, mas que encontra grande resistência por parte de alguns pais, pois acreditam estar criando uma criança gananciosa e que só se preocupa com o dinheiro.

Na verdade, antes de dizer tal coisa, você deveria pensar bem na realidade em que vivemos e que o mundo não vai tratar seu filho da mesma forma generosa que você o trata.

Ensine ao seu filho o valor efetivo do dinheiro. Faça com que ele saiba exatamente o quanto é difícil se ganhar dinheiro e que as coisas custam dinheiro.

Quando eu era criança, não tinha uma família rica. Eramos de classe média e ganhar presente era algo exclusivo para datas especiais. Na verdade duas: Natal e aniversário.

Fora isso, quando queria comprar algo com valor mais elevado, tinha que ganhar o dinheiro com base no cumprimento de tarefas. O que na maioria das vezes, levava uns bons cinco ou seis meses até conseguir juntar o dinheiro necessário.

A tarefa de ter que poupar o dinheiro necessário para comprar o que eu queria, me ensinou três coisas:

a) O valor do dinheiro ganho

Eu sabia muito bem o quanto custava ganhar algumas moedas. Para uma criança, qualquer trabalho implica em suor e esforço.

b) Pensar duas vezes antes de gastar o dinheiro ganho

Me lembro bem que por várias vezes, aquele sonho com determinada coisa que na época parecia maravilhosa, algo que eu não poderia deixar de ter, deixou de ser tão importante assim depois do tempo necessário para juntar o dinheiro para comprá-lo. E que também, não foram poucas as vezes em que gastei o dinheiro ganho com algo que realmente me era importante e necessário.

Tudo por ter tido tempo suficiente para pensar no que eu queria de fato enquanto juntava o dinheiro.

c) O prazer de comprar algo com o dinheiro ganho com o meu trabalho

E o contrário do ponto "b" também acontecia. E quando acontecia a sensação era indescritível!

O prazer de comprar algo que você quer de verdade, depois de passar dias, semanas, meses poupando dinheiro é a coisa mais incrível do mundo. Principalmente para uma criança. A sensação de poder e realização transforma e liberta a mente de tal forma que todo o "sacrifício" e trabalho são recompensados.

Ainda me lembro da sensação de quando comprei minha primeira bicicleta! Fantástico!

Além dos três pontos citados acima, aprendi outra coisa que considero a mais importante e que provavelmente foi a responsável por eu ter me tornado um empreendedor:

Pensar sempre na maneira mais rápida, fácil e eficiente para ganhar mais dinheiro.

E olha que não estou falando de nada ilegal ou imoral, visto que na minha casa as regras sempre foram bem rígidas e qualquer coisa errada implicava em castigo e punições severas, eu sou do tempo em que o pai acreditava que uma boa surra era essencial para moldar o caráter da criança (coisa que sou contra).

Quer um exemplo?

Quando eu tinha nove anos, meu pai me pagava algo em torno de R$5,00 (se pensar no equivalente aos valores de hoje) para limpar o quintal.

Nossa casa não era grande, mas o quintal era enorme, principalmente para uma criança de nove anos. Eram árvores que espalhavam suas folhas por todo lado, o cachorro que fazia uma bagunça danada, poeira e entulho das reformas sempre em andamento, mas nunca acabadas. Eu quase sempre gastava um sábado inteiro e boa parte do domingo para dar conta de tudo.

Como eu queria aproveitar o final de semana para as atividades de suma importância que tinha na época, tais como jogar bola e tomar sorvete, tanto pensei que acabei encontrando uma solução:

Encontrei quatro amigos que também gostavam do sorvete no final de semana e fiz um acordo. Eles me ajudavam a limpar o quintal e eu pagava "R$1,00" para cada um.

Dito e feito, na primeira semana, limpamos todo o quintal antes do final da tarde de sábado. Já na segunda semana, dois deles trouxeram mais um amigo cada e dividiram seu R$1,00 com eles. Ou seja, eramos seis garotos trabalhando juntos e limpávamos todo o quintal em no máximo duas horas na manhã de sábado.

A idéia era ótima e durou por muito tempo, tanto, que acabou rendendo minha primeira grande "sociedade". Eu e o Rodrigo, um dos garotos que me ajudava com a limpeza, tivemos a idéia de "expandir os negócios" e começamos a oferecer nosso serviço de limpeza para as casas de quintal grande da nossa rua e depois de todo o bairro.

Uns achavam interessante dois garotos "empresários" e pagavam toda semana pela limpeza. Outros uma vez por mês. E assim fomos indo, até que o negócio acabou de vez, quando os nossos "funcionários" cansaram-se de trabalhar durante todo o sábado e o domingo entre sete da manhã e nove da noite. Pensando hoje, acho que eu e o Rodrigo fomos com muita sede ao pote.

E como fazer para implementar isso na prática?

Faça com que seu filho trabalhe para ganhar seu próprio dinheiro!

Obviamente que você não vai colocar seu filho para vender balas no sinal, muito menos para sair por aí e montar uma banca de camelô.

Quando digo "Faça com que seu filho trabalhe" estou me referindo a tarefas simples como arrumar o quarto, lavar a louça, varrer o quintal. Coisas leves e que na maioria seriam obrigações (que provavelmente ele não cumpre).

Use sua criatividade e pense em várias tarefas leves que poderiam ser pagas com um pequeno "agrado". Por exemplo, valores mensais:

Arrumar o quarto uma vez por semana: R$10,00
Varrer o quintal todos os dias: R$10,00
Lavar a louça do jantar: R$10,00

E tantas outras tarefas que você julgue possíveis de serem feitas e valores de acordo com o seu bolso.

Acredite, no início seu filho pode até não se importar muito com isso, pensar que você está brincando e que quando ele quiser alguma coisa você vai acabar amolecendo, etc...

Desde que você faça tudo em comum acordo com sua esposa ou marido e que a criança não seja exigida demais, você só tem a ganhar e o seu filho mais ainda.

Sucesso!

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